by Valor Econômico
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Trabalhar com RH?

Nos últimos cinco anos, a área de recursos humanos tem vivido importantes mudanças e isso inclui o perfil do profissional que nela atua. Conhecer tecnicamente os processos operacionais de contratação, remuneração, benefícios, folha de pagamento e aplicação de testes psicológicos não são mais os aspectos que diferenciam os bons profissionais de RH.

Além disso, a formação de pedagogia ou psicologia não é mais fundamental para a construção de uma carreira na área de gestão de pessoas. É claro que os processos tradicionais continuam importantes e garantindo o bom funcionamento da empresa, mas é preciso mais do que isso para propor soluções alinhadas com a estratégia do negócio e que tragam vantagem competitiva.

O RH deve ir além da visão de área de suporte e contribuir diretamente na rentabilidade e eficiência do negócio. Isso pode acontecer na própria revisão e evolução dos processos internos da área, como também no papel de oferecer ferramentas e apoio para os profissionais se desenvolverem e atingirem suas metas.  Não basta gostar de gente, mas também não é só entender de negócios. Para humanizar a gestão sem perder o foco na sustentabilidade do negócio é preciso investir no encontro da estratégia e da compreensão dos processos das ciências humanas.

O curso de graduação pode, inicialmente, ser um obstáculo, mas a experiência em outras áreas é um facilitador e pode fazer a diferença. Por isso, um curso de especialização que foque gestão de pessoas e trabalhe os principais processos de recursos humanos pode ser interessante para quem quer dar os primeiros passos na área.

Caso o investimento em uma pós-graduação ou MBA não seja possível no momento, a troca com profissionais da área pode ser fundamental para essa abertura de portas e clareza nas decisões.  Eventos, fóruns e cursos de curta duração também são oportunidades de aprendizado, bem como o contato com quem conhece bem o desafio de lidar com a complexidade humana e a exigência do negócio.

Uma pesquisa da Accenture sobre o futuro do RH aponta que a área terá que aprender a manejar talentos que vão além das paredes e das políticas das empresas. O profissional de recursos humanos estará cada vez mais próximo ao negócio, entendendo o que é necessário nas áreas, projetos e entregas para saber identificar externa ou internamente os melhores indivíduos para isso.

O papel desse profissional não será apenas de identificar esse talento, mas também de facilitar os processos de desenvolvimento de habilidades e conhecimentos que deverão ir muito além dos treinamentos formais.  O aprendizado acontecerá de diferentes maneiras, nos processos de coaching e mentoria, na prática do dia a dia, na troca entre pares e nas e nas contribuições nas redes sociais internas. O profissional que se adaptará a essas mudanças e será protagonista dessas transformações é aquele que conhece quais são as competências e conhecimentos importantes em cada área ou função. E, por isso, é um apoio fundamental nas constantes movimentações internas que, por sua vez, garantem a retenção de quem faz a diferença para o negócio.